Catálogo

No curto trajeto que já percorri nesta vida conheci pessoas um tanto diferentes e as observei da maneira peculiar que me cabe. De cada uma delas guardo um traço e vou fazendo uma coleção. Afinal, sou observadora quando quero e guardo os detalhes que me chamam atenção. Decoro sinais, memorizo curvas, lembro texturas, guardo momentos e, mais inconscientemente, armazeno essências. Meu instinto carnal sempre se apega às fragrâncias alheias, elas são para meu olfato como uma droga para o meu organismo inteiro, algumas inclusive deterioram minhas vias de tão poderosas ou malignas. Talvez daí venha meu receio em provar drogas que se usam desta maneira. Mas sim, são esses pequenos detalhes que me prendem a certas criaturas, alias, prender é um verbo inadequado para esse contexto, pois certas vezes esses detalhes, pelo contrario, me livram.

   De uns tempos para cá, as peles ficaram cada vez mais discrepantes e acabei experimentando detalhes excepcionais. Dos que frequentemente me veem à cabeça, as pintinhas de certa moça de pele macia e branca, os lábios de alguém especial que insiste em visitar meus planos futuros e por ultimo um cheiro. Este eu não decidi se gosto ou desgosto, se me prende ou me liberta, me chama ou me repele. Mas de uma coisa eu sei, que em momentos fortuitos eu o sinto como se aquela pessoa estivesse ali do lado, não comigo, mas de passagem, só para lembrar-me que existe ou existiu, mas definitivamente passou por mim, cruzou meu trajeto. 

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